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| Nissin Lámen: pronto em três minutos. |
Você consegue colocar no ar um perfil no Twitter, uma fanpage no Facebook ou um blog no Tumblr no tempo em que cozinha um Miojo. Mas as semelhanças entre as redes sociais e o macarrão instantâneo terminam aí.
Para quem trabalha com isso o tempo inteiro e vê que ainda assim falta oportunidade para absorver, aprender e aplicar tudo o que acontece, a distinção entre uma coisa e outra parece evidente. Por isso mesmo ainda me surpreendo quando pessoas bem-intencionadas acreditam que podem preparar uma estratégia instantânea para negócios em ambientes sociais. Ou, pior, que conseguem se tornar "consultores" com uma experiência ainda al dente.
Se você pretende usar a internet para ganhar dinheiro, recrutar talentos, encontrar parceiros de negócios ou qualquer outra atividade comercial, é importante separar massa e molho. A tecnologia é a parte visível, mas ela é só o prato que vai servir sua comida. Temos hoje pratos de diversas formas e tamanhos. E cada um será ideal para um tipo de ocasião. Um Facebook é excelente para cativar clientes e fãs, enquanto um YouTube explora o didatismo e a sedução do vídeo como poucos. O Twitter é ágil e as mensagens ali postadas estão prontas para ganhar o mundo.
Mas de nada adianta criar perfis, páginas e comunidades em tudo quanto é canto se você não souber o que fazer com isso. E essa definição é estratégica. E tem que vir do dono do negócio, do marketing, do cara de produto. Não de um suposto (e, diria, absurdo), gerente de Twitter. Absurdo porque o Twitter veio, está, mas vai embora. Como tudo que é tecnologia. Importante é a mudança cultura que provocou e que vem com o Twitter. Importante é entender as oportunidades e ameaças para o negócio, seja lá qual for a rede social.
Trabalhar com redes sociais é trabalhar com estratégias para se tirar o melhor proveito da relação marca-consumidor. É ajudar as empresas a entenderem qual a melhor forma de encaixar Facebook, Twitter e afins em sua estratégia, e não fazer as empresas criarem uma estratégia para o Facebook, como se ele fosse um fim, um objetivo. Se seu nome não for Zuckerberg, certamente o Facebook é um importante, rico e fascinante meio para conquistar o que você quer, mas não é seu gol.
É isso que, a meu ver, o profissional-miojo não vê. Porque ele se formou em três minutos e não dá tempo de olhar todas os vais e vens da tecnologia, filtrar como cada uma ajudou a construir o consumidor conectado de hoje e ainda tentar antever para onde vai essa história toda. Até porque tudo muda tão rápido, que se a pessoa não se habilitar a entender os porquês e os para onde, arrisca de a gororoba desandar.
A agilidade em se publicar conteúdo é uma das maravilhas das redes sociais, mas por gerar essa ilusão de simplicidade, acaba sendo uma armadilha. Não é diferente do que está acontecendo no varejo, com a profusão de sites de compras coletivas. Muitos empreendedores confundem este novo segmento com a ferramenta tecnológica – disponível por alguns reais em pacotes prontos para servir. Mas e o atendimento ao cliente quando algo dá errado? E a estratégia de marketing para se tentar o mínimo de diferenciação? E a agência que vai poder criar um nome que não seja (qualquercoisa) urbano? Ou desenhar uma marca que não seja em Comic Sans?
Mas também é hora de ver o outro lado e deixar de ser ranzinza. Pelo menos, há um batalhão de pessoas empreendendo, metendo a cara, buscando aprender. Muitos empresários-miojo e profissionais-miojo vão grudar no fundo da panela, mas outros terão sucesso e saberão aproveitar que ainda estão quentes para se aprofundar e caprichar no molho e no queijo ralado. Muitos se tornarão chefs e influenciadores de novas levas de empreendedores e profissionais instantâneos.
Que seja assim, então. Mas, desta maneira, que pelo menos clientes e profissionais saibam reconhecer que miojo é miojo, macarronada é macarronada. E um trabalho sério em redes sociais – na verdade, um trabalho sério em qualquer disciplina do conhecimento – é macarronada.
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O texto acima foi escrito por Roberto Cassano para o TechTudo.
Os direitos autorais do texto são estritamente reservados ao autor.



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