domingo, 7 de agosto de 2011

Acabou a água e sal

O DCIS agora possui voto universal.
Na última reunião dos conselheiros do Departamento de Ciências Sociais Aplicadas, foi deliberada, de forma legítima pela maioria dos conselheiros presentes, a votação universal para as eleições do DCIS. A decisão histórica foi comemorada por estudantes e professores que discutiram amplamente sobre a atual situação do DCIS e se mobilizaram para levar ao conselho a proposta de voto universal, muito mais condizente com uma verdadeira democracia do que os pesos das categorias para o resultado final adotados desde a fundação do DCIS na ditadura militar (70% provenientes dos votos dos docentes, 15% dos funcionários e 15% dos estudantes). A implementação do voto universal significa, resumidamente, quebrar a barreira que separa pessoas em categorias e uni-las a uma única categoria realmente existente, a de indivíduos diretamente ligados e interessados nas atividades acadêmicas, ou seja, cada voto individual possui um "peso único", valendo igualmente entre estudantes, funcionários e professores.
Resumindo os acontecimentos, ainda no início deste semestre, antes da greve, o DCIS já discutia sobre o processo eleitoral, que aparentemente só teria um candidato, Joselito Viana de Souza, apoiado pelo atual diretor do DCIS, Jorge Aliomar Barreiros Dantas. Os percentuais não seriam sequer discutidos e, mais uma vez, as eleições do DCIS demonstrariam que seria uma mudança para tudo permanecer exatamente o mesmo. Indignados, estudantes foram à reunião do DCIS debater sobre a situação caótica do ensino, da pesquisa e da extensão e cobrar por uma maior participação nas eleições, visto que ainda representar, atualmente, no contexto de uma sociedade democrática, um peso de 15% dos votos jamais estaria condizente com a verdadeira opinião de uma categoria com cerca de 1.600 pessoas diretamente atingida pelas decisões. Em resposta, um grupo de professores esvaziou o quórum e, dias depois, publicou uma nota à comunidade acadêmica repudiando a atitude e tendendo a desmoralizar os estudantes pelo ato. Como resposta, os diretórios acadêmicos dos quatro cursos, juntamente com o Grupo Mutação, do curso de economia, responderam a nota contraditória do grupo de professores conservadores, chamando, mais uma vez, todos para um verdadeiro debate, e não para uma fuga, numa tentativa esdrúxula de calar os estudantes e fingir que tudo caminha nos conformes, como ocorre a cerca de 30 anos no DCIS. Após a greve dos docentes, as discussões sobre o processo eleitoral retomaram e, mais uma vez, a direção do DCIS erra, ainda que não se tenha a certeza se uma decisão tomada por motivos pessoais de um grupo conservador restrito ou mesmo por bagunça (o que não me surpreenderia), e não convoca os conselheiros discentes no prazo mínimo pré-determinado, enquanto outros conselheiros, professores, foram devidamente convocados segundo determina o regimento. Os estudantes, mais uma vez indignados, demostraram insatisfação com a forma diferenciada de se referir a determinados conselheiros e retiraram-se da reunião alegando ilegitimidade, reunião essa que, por esse motivo, foi anulada. A partir dela, uma comissão de três professores foi formada para dialogar com o movimento estudantil e levar, numa reunião legítima, os pontos questionados para análise do conselho, enquanto os estudantes que se retiraram do recinto fizeram passagens em sala esclarecendo o ocorrido e o descaso de alguns professores com o debate. A partir daí, foi convocada uma assembleia dos estudantes do DCIS para discutir o Departamento de uma maneira mais ampla e deliberar sobre qual proposta de votação a categoria defenderia veemente, sendo escolhido o voto universal pela ampla maioria dos presentes. Na última quarta-feira, dia 3, houve um debate sobre o processo eleitoral e o que uma mudança benéfica no mesmo refletiria no DCIS e nos cursos noturnos, mas não foi uma surpresa para todos que alguns professores, os mesmos que repudiaram a atitude dos estudantes, não compareceram para discutir. Na última reunião dos conselheiros do DCIS, ocorrida na última quinta-feira, dia 4, a adoção do voto universal foi consentida pela maioria dos conselheiros presentes, ainda que não tenha sido uma aprovação fácil, visto que um grupo de professores ainda teimava em segurar a votação, ou modificá-la, por motivos tolos. Além da proposta de voto universal, incluíam-se também outras três propostas: 50% para professores, 35% para estudantes e 15% para funcionários; 50% para servidores de forma geral (professores e funcionários) e 50% para estudantes; e a proposta de voto paritário, 33% para cada categoria.
Ainda que não pareça claro para muitos, desde o início o impasse não era entre categorias, ou seja, não era um movimento de estudantes contra professores, mas sim de pessoas que queriam a ordem e a evolução do DCIS, incluindo-se professores e estudantes, contra as pessoas que queriam mais do mesmo, conformadas com a mediocridade atualmente presente. Enfim, o voto universal em si não é um fim, mas um meio para promover severas mudanças no Departamento. Para o DCIS se tornar um órgão universitário realmente funcional, caberá a todos nós (estudantes, funcionários e professores) participarmos cotidianamente deste processo de reconstrução e discussão, afinal, o DCIS nunca se tornará um órgão perfeito, assim como não existe nada que funcione perfeitamente no mundo, mas o que atualmente é uma regra, como o descaso com questões sérias e o consentimento da mediocridade, deverá se tornar uma exceção. Apenas para efeitos comparativos, o Departamento de Ciências Humanas e Filosofia (DCHF) já possui, a algum tempo, o voto universal, além de alguns outros departamentos que, ainda que não tenham aderido ao voto universal, já varreram o fatídico 70, 15, 15 de suas práticas antidemocráticas, aderindo à proporções mais condizentes com realidade dos pesos das categorias.
Para finalizar, assista abaixo o vídeo, feito pelo estudante de administração e representante discente Fabrício Falcão, do estudante de economia, representante discente e membro do Grupo Mutação, Daniel Nogueira, defendendo o voto universal na reunião do DCIS.

2 comentários:

  1. Texto lindo sobre uma conquista incrível. Parabéns Tulio, muito bem escrito. Muito feliz! alline

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  2. parabens aos estudantes!!!

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