quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Eleições para o DCE ocorrerão na próxima semana

Sem gestão desde o final de 2010, quando a chapa composta pelo Grupo Optar abandonou a gestão do Diretório Central dos Estudantes no Conselho de Entidades de Base (conselho composto pelos diretórios acadêmicos dos cursos de graduação da UEFS), o DCE será disputado em eleições que ocorrerão na próxima semana.
Com o abandono da gestão do Grupo Optar, que assumiu também que não realizaria novas eleições para o DCE, uma comissão gestora, formada pelos Diretórios Acadêmicos de Economia, Educação Física e Geografia, possuiu a atribuição de realizar as eleições para a entidade. Duas chapas se inscreveram para a disputa no processo eleitoral: a Chapa 1, Ousar: reorganizar a luta, construindo sonhos; e a Chapa 2, Levante. Ambas estão em campanha desde o dia 16 deste mês (quarta-feira) e continuarão até a próxima sexta-feira, dia 25, sendo as duas chapas compostas por estudantes de diversos cursos e semestres. Além da campanha, dois debates entre as chapas foram marcados. O primeiro deles ocorrerá amanhã, a partir das 8h30, e o segundo está marcado para o dia 28, segunda-feira, às 18 horas, sendo a Praça do Borogodó, no Módulo III, o local dos dois debates.
As eleições ocorrerão nos dias 29 e 30 de novembro e 1º de dezembro (terça-feira, quarta-feira e quinta-feira, respectivamente). Além das eleições para o DCE, serão escolhidos também os conselheiros estudantis para o Conselho Superior Universitário (CONSU), o Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão (CONSEPE) e o Conselho do Orçamento Participativo (COP). Os estudantes do curso de administração votarão na urna que será disposta na Cantina 1, no Módulo I, bastando ter em mãos apenas um documento oficial com foto para o ato.

As duas chapas disputam as eleições para o DCE.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

III Campeonato de Futsal e I Feijoada Universitária de Administração

III Campeonato de Futsal de Administração
Acontecerá neste final de semana o III Campeonato de Futsal de Administração, e você certamente não poderá deixar de comparecer para jogar, torcer e se divertir! Prepare o seu time, traga a sua torcida organizada e venha curtir o grande evento futebolístico que acontecerá no Parque Esportivo da UEFS! Confira os horários dos jogos de cada time e prepare-se!

  • Sábado, dia 29

  1. 14h30: Terceiro Ano x Frevo
  2. 15h30: Boêmios x Os Bixos
  3. 16h10: Inter de Meião x Terceiro Ano
  4. 17 horas: Frevo x Boêmios
  5. 17h50: Os Bixos x Inter de Meião

  • Domingo, dia 30

  1. 8 horas: Frevo x Os Bixos
  2. 8h50: Terceiro Ano x Boêmios
  3. 9h40: Inter de Meião x Frevo
  4. 10h30: Os Bixos x Terceiro Ano
  5. 11h20: Boêmios x Inter de Meião
  6. A grande final será às 12:10, partida onde será decidido o vencedor que levará o prêmio!

Além de curtir o futebol arte dos nossos craques administradores, teremos a I Feijoada Universitária de Administração no domingo, que acontecerá logo após a final do Campeonato e será ao som do pagode de mesa da banda De Igual pra Igual, além de muita cerveja, uísque, refrigerante e água que serão vendidos no local.
E então, você não vai perder essa, né? Anote aí: sábado, a partir das 14h30, e domingo, a partir das 8 horas, você não deixará de conferir o maior evento esportivo do curso de administração, além de comer a melhor feijoada no domingo, a partir das 12h30!

I Feijoada Universitária de Administração

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Compartilhamento: Como Darwin explica o colapso nas bolsas?

Crash: Uma Breve História da Economia.
Como qualquer outra bolha, a da internet não bolhou porque o mundo é cheio de imbecis, mas porque estava deixando muita gente muito rica.
Quem colocou US$ 100,00 em ações do Yahoo! em novembro de 1996 teve como vender essa participação na empresa exatamente três anos depois por US$ 135.200,00. Quem pegou US$ 1.000,00 do salário de chapeiro do McDonald's e fez uma fezinha no site se viu milionário no fim de 1999. Quem já estava bem de vida e colocou US$ 1 milhão para ver no que dava... É. Deu isso. Show do bilhão.
O valor das ações das empresas americanas de tecnologia listadas na Nasdaq era de US$ 1 trilhão em 1996. Quatro anos depois, US$ 5 trilhões.
Os casos mais famosos dessa bolha são os das empresas pequenas que viraram bilionárias. Caso do Geocities, um site precursor dos blogs e das redes sociais. Ele servia para você montar uma "página pessoal", que ficava hospedada nos servidores da companhia. Ela começou do zero em 1994 e, cinco anos depois, acabou comprada pelo nosso amigo Yahoo! por US$ 3,5 bilhões. Só faltava encontrar um jeito de fazer o Geocities dar dinheiro. E isso nunca aconteceu.
Mas o boom não afetou só empresas pequenas e hipervalorizadas. As que já eram grandes chegaram à obesidade mórbida. A Microsoft chegou a valer US$ 600 bilhões no ano 2000. Corrigindo pela inflação do dólar na última década, isso daria US$ 800 bilhões de hoje – quase o dobro do valor da Exxon e quatro vezes o da Petrobras. Seu P/L era de 60, três vezes o da Apple hoje. Ou seja: a esperança dos investidores era que a Microsoft virasse uma empresa muito, muito maior do que já era.
O caso mais absurdo, porém, foi em janeiro de 2000, quando a America Online, um provedor de internet, comprou a Time Warner, o maior grupo de comunicações do mundo, dono da CNN, da HBO, da revista Time, da DC Comics e dos estúdios de cinema Warner Bros. A Time Warner estava mal das pernas na época, cheia de dívidas e com lucros mirrados. Mas seu faturamento, o dinheiro grosso que entrava no caixa, continuava sendo de gente grande: US$ 27 bilhões anuais. O da AOL era bom para o de uma companhia de tecnologia da época, mas sumia perto do da Time Warner, US$ 4,8 bilhões (lucro também quase não rolava – tudo era reinvestido na empresa). Só que a AOL tinha um ".com" no fim do nome, então o valor de mercado dela era maior. O preço de todas as ações da empresa juntas era de US$ 169 bilhões contra US$ 121 bilhões da Time Warner. Os papéis supervalorizados da AOL foram a moeda de compra. Dali surgiu uma empresa nova, da qual a America Online passava a ser dona de 55%: a AOL Time Warner, com valor de US$ 300 bilhões.
A reação ao negócio polarizou as opiniões. De um lado, parte da imprensa festejava a fusão como revolucionária, dizendo que ela abriria de vez as portas para um futuro dominado pela internet. Do outro, estavam os chatos – que estavam certos.
O Financial Times foi um dos poucos que se mantiveram céticos. E acabou sendo profético. No dia seguinte à fusão, saiu no jornal britânico: "Isso levanta uma das maiores questões dos últimos tempos. O dinheiro da internet é o mesmo dinheiro da vida real? A resposta parece ser negativa. Cada dólar proveniente da AOL tem valor diferente da moeda vinda da Time Warner. O da AOL, resultado do seu valor de mercado, vale menos de 75% do dólar da Time Warner".
Não era um cálculo científico, só um chute. A ideia ali era mostrar que uma coisa era o patrimônio da Time Warner, com seus estúdios, gráficas e um faturamento bem nutrido, outra era o valor das ações da AOL, que podia despencar do dia para a noite.
E foi o que aconteceu. As empresas de tecnologia dos EUA chegaram ao seu valor máximo de US$ 5 trilhões em março de 2000. Mas daí para a frente a quantidade de vendedores de ações superou a de compradores. E a queda nos preços começou. No fim do ano, as companhias da Nasdaq juntas valiam só US$ 3 trilhões. Tinham perdido quase metade do valor de mercado. O preço da ação da AOL Time Warner caiu quase pela metade, de US$ 133,00 para US$ 68,00, enxugando quase US$ 150 bilhões do valor da empresa. O tal do "dólar da AOL" se mostrou bem mais podre do que o Financial Times tinha previsto. Não teve um grande fato que engatilhasse a queda abrupta das ações, como uma megafalência ou algo assim. Não. Na verdade a noção de que os papéis estavam caros demais já tinha se disseminado. Mesmo no Brasil, que só viveu uma sombra dessa bolha, não faltavam críticos. Na Folha de S.Paulo, em janeiro de 2000, um analista de mercado questionava a alta das ações da Globo Cabo (a operadora de TV paga que mudaria de nome para Net em 2002). "Como uma empresa que ainda é só uma promessa pode valer mais que uma Sadia, que tem fábrica, patrimônio?"
Essa noção de que, para valer dinheiro, uma empresa tinha de ter "fábrica, patrimônio" foi esmagando a moda das ações de tecnologia. Em 2002 o valor das companhias listadas na Nasdaq voltou ao nível de 1996, de US$ 1 trilhãozinho. US$ 4 trilhões tinham ido para a casa do chapéu – e para as casas de três andares, iates e aviões particulares de quem vendeu as ações antes de a bolha estourar. A AOL Time Warner? Os veteranos da Time Warner reassumiram o comando em 2002 e mandaram tirar o "AOL" do nome.
Foi como se o mercado tivesse acordado de um porre. Tecnologia virou sinônimo de lixo. E a queda nas ações dessas empresas acabou sendo tão exagerada quanto a subida tinha sido. Sabe acordar de ressaca e jurar que nunca mais vai beber tanto? Então.
Com todo o mundo correndo das empresas de tecnologia, mesmo empresas sólidas se complicaram. A Amazon, por exemplo, já era uma grande vendedora de livros na época da bolha. Mas suas ações caíram de US$ 85,00, em 1999, para US$ 6,00, em 2001. Uma amostra de que foi excesso de pânico é que, em 2003, a Amazon tinha recuperado metade do valor de pico. Dez anos depois, os papéis estavam em US$ 180,00. Também é fato que patrimônio puro e simples (fábricas, escritórios, funcionários) nem sempre enchem barriga. A realidade respondeu àquela pergunta do analista na Folha de forma irônica: a Net virou uma empresa com patrimônio avaliado em R$ 3,6 bilhões e valor de mercado de R$ 5 bilhões, enquanto a Sadia perdeu quase R$ 1 bilhão numa trapalhada com derivativos de moeda estrangeira em 2008, deu um tombo nos acionistas e acabou engolida pela maior concorrente, a Perdigão.
Depois da bolha, as empresas de tecnologia jamais recuperaram o terreno perdido – a Apple é a única exceção. Outros fatores ajudaram: o crescimento da China, por exemplo, disparou a demanda por petróleo e minérios. E as empresas dessas áreas se tornaram mais gigantes do que já eram.
Mas nem as petroleiras, nem as mineradoras, nem o Banco da China chegariam perto do valor de mercado que Microsoft, Cisco Systems, General Electric ou Intel tiveram. Ainda que um dia cheguem a valores nominais, dificilmente alcançarão o preço real que elas tiveram, o preço corrigido pela inflação. Essas três, as maiores empresas de tecnologia da época, valeriam quase US$ 2 trilhões em dinheiro de 2011 contra US$ 1 trilhão das três grandes petroleiras de capital aberto. Hoje, Microsoft, GE e Cisco valem quase metade disso: US$ 630 bilhões.
Onze anos depois da quebradeira na Nasdaq, Bill Gates continuava no pódio dos homens mais ricos do mundo, com um patrimônio pessoal de US$ 50 bilhões – segundo colocado, entre o magnata mexicano das telecomunicações, Carlos Slim (US$ 74 bilhões) e o investidor Warren Buffet (US$ 50 bilhões). Mas sua empresa valia bem menos, US$ 215 bilhões. E tinha um P/L bem mais pé no chão: 10, metade do da Apple. Ainda assim, continua firme no top 10 de empresas com maior valor de mercado e dá um lucro anual de petroleira, na faixa dos US$ 20 bilhões.
Até o Yahoo!, a mais completa tradução da insanidade da bolha, e que justamente por isso poderia ter quebrado, vai relativamente bem, com valor de mercado de US$ 21 bilhões e P/L bem mais pé no chão: 18. Ok que o Yahoo! perdeu todo o espaço que tinha para o Google, que praticamente monopolizou a receita de publicidade da internet nos anos 2000 e, na prática, virou a maior vendedora de anúncios do mundo. Só que os números do Google também parecem dentro da realidade: valor de mercado de US$ 190 bilhões contra um lucro de US$ 8,5 bilhões nos 12 meses anteriores. P/L de 22. Três vezes menor que o da Microsoft nos anos 90 e uma fração do antigo P/L do Yahoo!, o Google da época.
Mas e aí? Qual é o "preço justo" de uma ação? O Google estaria no valor certo, e a Microsoft, mais barata do que deveria? Bom, essa é a pergunta que move US$ 60 trilhões nas bolsas do planeta. E quem responde é uma entidade sobre a qual ainda não falamos aqui: a natureza.
Imagine o mercado de ações como se ele fosse o seu corpo. Agora pense melhor sobre o que é o seu corpo. Você é um amontoado de 100 trilhões de células. Cada uma ali descende de uma forma de vida rudimentar: moléculas de 3,5 bilhões de anos atrás que passavam o dia flutuando na água do mar – ou no "caldo primordial", como os cientistas preferem chamar a mistura de água em moléculas onde a vida começou. A única diferença entre essas formas de vida rudimentares e grãos de areia era que elas tinham aprendido algo estranho: fazer cópias de si mesmas.
A matéria-prima para essas cópias eram outras moléculas que flutuavam no caldo. A molécula era uma versão primitiva daquilo que a gente chama de DNA, uma cadeia de átomos de carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio colados uns nos outros formando uma escultura microscópica em forma de hélice. Cada uma dos seus 100 trilhões de células carrega uma estrutura dessas dentro dela.
Bom, esse DNA flutuante de 3,5 bilhões de anos atrás pescava (digamos assim) nutrientes no caldo e, a partir dos átomos de carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio, formava outra escultura em forma de hélice, novinha. E podia morrer em paz. Essas outras esculturas eram as filhas dela, cada uma capaz de gerar suas próprias cópias. Cada nova geração, porém, não saía exatamente igual à anterior. Aparecia um errinho de cópia aqui, outro ali. Às vezes o erro tornava a molécula de DNA inútil. E ela morria. Mas outras vezes o erro de cópia dava numa mudança, uma mutação, que conferia alguma vantagem para ela.
Com o tempo, apareceram algumas moléculas com uma vantagem clara: tinham a capacidade de usar outras estruturas de DNA para fabricar seus filhos, e não só nutrientes soltos no caldo. Eram os primeiros predadores, que comiam outras formas de vida para sobreviver, igual você faz, mesmo que seja um vegetariano radical. Essa batalha para ver quem comia e quem acabava comido foi a primeira guerra mundial para valer, há bilhões de anos, no caldo primordial.
Mas surgiriam outras mutações. Algumas moléculas nasceram com uma mutação ótima para esses tempos de guerra. Uma carapaça natural, uma armadura que permitia comer os rivais sem correr o risco de ser comido. Eram as primeiras células, contêineres de proteína que protegem a vida da molécula de DNA lá dentro. Só essas sobreviveram à guerra primordial.
Mas não demorou para chegarem células mutantes ainda melhores, com mais capacidade destrutiva. Essas células tinham o maior de todos os poderes: a capacidade de se unir, de juntar forças. Funcionavam como um pequeno exército, usando a especialidade de cada tipo de célula para o bem do conjunto. Especialidades como esta aqui: células com uma mutação que as fazia perceber a presença ou a ausência de luz, por exemplo, ficavam na linha de frente. Essa capacidade permitia enxergar onde estavam as presas. Outras cuidavam do sistema de locomoção, trabalhando como remadoras de um navio, outras ficavam a cargo de consumir os nutrientes e repassar energia para o sistema de visão e as células locomotoras (o sistema digestivo, basicamente). De quebra, aprenderam a se reproduzir em conjunto. Um exército gerava outros exércitos prontos, não só células soltas.
E o progresso nunca parou. Esses exércitos foram ficando cada vez maiores e mais eficientes. Viraram o que o biólogo inglês Richard Dawkins – um dos primeiros a enxergar a evolução da vida por esse ponto de vista, o das moléculas – chamou de "máquinas de sobrevivência". Hoje elas são exércitos incomensuravelmente grandes, formados por trilhões de células. E se você quiser ver uma delas é só olhar no espelho. Seu corpo é uma máquina de sobrevivência: uma junção de trilhões de microformas de vida. Se você pegar um microscópio e olhar só um pedaço ínfimo do seu corpo, vai ver um cenário caótico: batalhas entre glóbulos brancos e micro-organismos, bactérias que se instalaram nas células para se aproveitar delas, mas que sem querer acabam ajudando-as a funcionar melhor... Seu corpo é uma coisa relativamente ordenada que emerge de um caos completo.
O mercado de ações também. Cada acionista age como uma célula. Ele está ali exclusivamente para o próprio benefício. Mas a junção de milhões de acionistas comprando e vendendo caoticamente forma um corpo até que bem ordenado. Entenda esse corpo como o preço de uma ação ou pelo menos como a faixa de preço em que ele tende a permanecer.
Cada compra e cada venda são uma especulação sobre o futuro. Nenhum acionista sabe se os papéis dele vão estar mais caros ou mais baratos lá na frente. Quem acha que o preço vai cair vende, quem acha que vai subir, compra. E trata-se de uma guerra tão violenta quanto a do caldo primordial.
O único momento em que você tem a oportunidade de comprar uma ação direto da empresa que emitiu os papéis é na hora do IPO. Passou disso, só no mercado. Só com pessoas que já compraram o papel e agora estão desistindo dele. Desse jeito, dá para entender que qualquer ação é uma roubada do ponto de vista de uma parte considerável dos investidores – os que querem se livrar dela. Se ninguém achasse que algum papel é uma roubada, seria impossível comprar qualquer ação. Sempre que você adquire uma, então, tem alguém do outro lado achando que você é otário – bom, nem sempre é assim. Às vezes esse alguém está vendendo os papéis a contragosto, porque precisa do dinheiro para pagar alguma dívida, por exemplo, mas na real isso só acontece sistematicamente em momentos de crise financeira aguda (2008 foi um desses, a Grande Depressão também). No resto do tempo é só uma batalha entre investidores para ver quem se dá melhor nas costas dos outros. O placar dessa batalha é o preço da ação.
Esse ponto de vista não tem nada de novo. É o mais antigo de todos, inclusive. Adam Smith, o filósofo que ergueu as primeiras vigas do pensamento econômico, resumiu a coisa numa frase: "Não é da benevolência do açougueiro, do padeiro e do cervejeiro que sai o seu jantar, mas da preocupação deles com o próprio interesse". É a noção da "mão invisível do mercado", termo criado por ele: de uma massa caótica e egoísta (comerciantes competindo para se dar bem), surge a possibilidade de você comprar carne, pão e cerveja. Sem o interesse próprio de quem vende, você não teria nada na mesa.
Isso de aplicar a ideia central de Adam Smith ao mercado de ações é uma linha de pensamento que os economistas chamam de "teoria dos mercados eficientes". Ela existe desde o começo do século XX e defende que o preço de uma ação costuma refletir o valor real dela tão bem em dado momento quanto o preço de um carro no mercado de carros usados: a massa (de gente comprando e vendendo) faz o preço.
Pense num mercado sem massa. O de carros de colecionador, por exemplo. Em maio de 2010, um comprador anônimo pagou o preço mais alto da história por um desses: US$ 30 milhões num Bugatti Type 57 Atlantic, de 1936. Esse é o "valor de mercado" do Bugattinho três-meia? Não. Se você encontrar um igualzinho abandonado com a chave no contato, vai ter dificuldade de encontrar alguém disposto a pagar US$ 30 milhões. Não existe tanto milionário assim atrás de um carro desses. É um mercado "sem liquidez", na língua dos economistas.
Quem tem "liquidez" é Uno, Gol, Corsa, Fiesta, Clio... É tanta gente querendo compar carrinhos baratos que é como se o preço deles fosse tabelado pelo governo. A tal liquidez é tão importante na determinação de um preço que colecionadores de carros antigos que trabalham no mercado financeiro estão montando bancos de dados com as negociações que acontecem pelo mundo. Compraram três Ferrari F-40 de 1988 por US$ 1 milhão e duas por US$ 1,5 milhão no ano passado? Então, se alguém lhe oferecer uma por US$ 1,2 milhão, está no preço. US$ 2 milhões talvez não tenha muita justificativa. E US$ 750 mil é para levar na hora.
Esse banco de dados não só existe no mercado de ações como é atualizado a cada fração de segundo. Pegue uma empresa miúda da Bovespa, a Positivo, por exemplo, uma empresa que monta computadores. Um milhão de ações dela trocam de mãos num pregão típico. Da PortX, a empresa que Eike Batista formou para abrir o capital de um porto, 10 milhões. Da siderúrgica Gerdau, 100 milhões. Petrobras, 500 milhões. Às vezes um bilhão.
É uma liquidez tão forte que não tem como o preço de um papel estar muito além da realidade. Se o preço da ação de uma Microsoft dá num P/L (mostrando que a ação está teoricamente barata), é porque o preço é esse mesmo. Uma ação não é uma Ferrari F-40 1988. É um Golzinho 2008. Há um mercado intenso por trás determinando o preço. Então não existem grandes barganhas. Na prática, significa que o investidor médio, você, não tem como ganhar muito mais do que a média na bolsa. Vocé é a média.
Isso é exatamente o que prega a ideia dos mercados eficientes. Ela leva em conta a diferença entre o preço de um carro usado e o de uma ação, claro. Um carro é uma coisa estática, não muda com o tempo (só fica mais velho, mas essa é uma alteração que vai se refletir no preço, e de forma totalmente previsível). Com uma empresa, a coisa real por trás de uma ação é diferente. Ela pode estar meio mais ou menos hoje, mas amanhã pode ganhar mercado e começar a ter lucros absurdos. No mercado de ações, o Gol de hoje pode ser a Ferrari de amanhã. Mas essa expectativa também está embutida no preço. Então ele é sempre um valor que a gente pode chamar de "justo".
A teoria é tão redonda que ganhou ares de sagrada entre os economistas. Só tem um detalhe: ela está errada.
"Errada" é um exagero. Claro que um preço determinado por milhões de pessoas comprando e vendendo todos os dias é algo a ser respeitado. Mas a teoria dos mercados eficientes é como a teoria da gravidade universal (ou qualquer outra da ciência): uma aproximação da realidade.
Não se trata de um retrato fiel. Quando Newton mostrou que a massa dos corpos se atrai, e que é por isso que o seu traseiro está grudado agora ao planeta Terra, ele fez uma boa aproximação sobre como o Universo funciona. Mas não era a verdade. Einstein descobriria mais tarde, em 1916, que não é a "massa dos corpos que se atrai". O que a massa dos corpos faz é entortar o "tecido do espaço" (uma entidade abstrata que representa a própria dimensão de espaço, não o espaço sideral). A Terra entorta o espaço à sua volta. E você se sente preso ao chão. Prova disso é que até a luz é atraída pela gravidade, algo que Newton achava impossível. E quando detectaram que massa atrai luz mesmo, em 1919, Einstein foi alçado à posição de semideus.
O alemão descobriu a verdade final sobre o assunto? Não. Mas que foi uma aproximação melhor que a de Newton, foi. Isso também não significa que Sir Isaac estivesse errado. As equações dele para descrever a atração entre os corpos continuaram valendo depois de Einstein. A matemática dele estava correta. Só a forma de ver o processo todo é que estava mais distante da verdade.
As forças que movem as finanças ainda são tão misteriosas quanto as que movem o Cosmos. Sabemos bastante sobre elas. Mas não tudo. Os criadores da teoria dos mercados eficientes fizeram uma boa aproximação.
É fato: o preço de uma ação reflete toda a expectativa do mercado em torno dela. O que a teoria não enxerga, porém, é que as expectativas às vezes estão completamente equivocadas.
É que entre uma ação e o preço dela existe uma entidade propensa a erros grosseiros: o nosso cérebro. Um ramo recente da ciência, a economia comportamental, surgiu nos anos 70, para tentar explicar como a nossa cabeça cria distorções no mercado financeiro. Psicólogos, neurocientistas e economistas têm aprofundado os estudos nessa área nos últimos anos. No começo foram desacreditados. Mas começaram a chamar a atenção depois que a bolha da internet e a crise de 2008 fizeram com que a vida real servisse de laboratório para suas teses. E hoje essa ciência tem até um nome mais bonito: neuroeconomia.
A neuroeconomia começa com uma premissa: a gente até engana, mas lá no fundo nossa mente é tosca. Ela evoluiu num ambiente selvagem. Passamos 99,5% da nossa história tendo de lidar o tempo todo com questões de sobrevivência – são 10 mil anos de civilização contra 2 milhões do surgimento do primeiro animal que dá para chamar de humano, o Homo erectus (se quiser usar como referência o Homo sapiens, a nossa espécie propriamente dita, que apareceu bem mais tarde, tudo bem, vai dar 95% de selvageria versus 5% de civilização).
Nesse mundo bruto em que a mente evoluiu, enfim, existiam duas regras de ouro:
1) Não levar desaforo para casa. Nós vivíamos em grupos de, no máximo, 100, 150 indivíduos. Todo o mundo se conhecia. Então perder o respeito do grupo significava o fim da sua vida – e viver sozinho no meio da savana africana, onde tanto os erectus como os sapiens passaram a maior parte do tempo, não era um bom negócio (ainda não é, por sinal).
2) Fazer o que os outros estão fazendo. Se todo o mundo sair correndo, corra também. Vai na fé, amigo erectus. O mais provável é que algum predador tenha aparecido e só você não tenha visto. É para esse instinto de ir com os outros, inclusive, que temos nossos neurônios-espelho, os que fazem a gente sentir o que os outros estão sentindo como se fosse telepatia. São eles que dão a sensação de "vergonha alheia", são eles que fazem você rir de verdade quando todo o mundo está rindo – mesmo que não tenha entendido a piada, são eles que fazem você gritar "ai" quando vê alguém se espatifando no chão, são eles que fazem uma criança escolher que vai torcer para aquele time de futebol quando você a leva para a arquibancada pela primeira vez. E também são os neurônios-espelho que levam investidores a fazer besteira.
Mas primeiro vamos considerar a parte do desaforo. O instinto de manter uma boa imagem perante o grupo – e diante do próprio espelho – cria uma aberração. Você fica feliz quando se dá bem e triste quando as coisas não dão certo. Ok. Mas não existe uma simetria aí. O desespero quando algo dá errado é maior do que a alegria de quando dá certo. Fazer um gol levanta a autoestima, digamos, em 10 pontos. Mas levar um gol do outro time abaixa em 20.
Na bolsa é a mesma coisa. Como a aversão à perda é muito grande, investidores tendem a pular fora do barco quando as ações estão caindo, mesmo que percam dinheiro com isso. É uma atitude irracional: o mais equilibrado seria esperar alguma subida para repor um pouco do prejuízo com a queda e aí, sim, vender. Ainda mais sensato seria mirar só na saúde financeira da empresa por trás da ação e não ligar para a queda de preço caso a companhia esteja bem. Mas não: a tendência é vender no momento de perda justamente para aplacar a dor da perda. E esse comportamento irracional ajuda a tragar o mercado inteiro para baixo em momentos de baixa, como o estouro de uma bolha – daí as ações de uma Amazon da vida terem caído quase a zero sem justificativa para tanto.
Quem chegou a essa conclusão nem foram economistas. Mas psicólogos. Os primeiros a verificar como a parte selvagem, puramente instintiva, do cérebro influencia o preço das ações foram o americano Daniel Kahneman, de Princeton, e o israelense Amos Tversky, de Stanford.
Kahneman ganharia o Nobel de Economia em 2002 – sem nunca ter aberto um livro de economia, segundo o próprio. A academia sueca justificou o prêmio dizendo que Kahneman integrara "inovações da psicologia nas ciências econômicas, especialmente no que concerne ao julgamento humano e à tomada de decisões sob incerteza" (Tversky não recebeu o prêmio junto porque tinha morrido seis anos antes – e não existe Prêmio Nobel post-mortem).
A dupla chegou a essas conclusões depois de anos de experimentos com voluntários, como acontece normalmente na elaboração de teses de psicologia. O mais famoso desses testes é o Jogo do Ultimato. Famoso e simples: dá até para fazer em casa. Assim: primeiro você chama dois amigos seus. Vamos chamá-los de Tonico e Tinoco.
Aí você dá R$ 100,00 em notas de R$ 10,00 na mão do Tonico e explica para a dupla:
– Olha, o Tonico tá com esse dinheiro na mão. Mas ele só vai levar alguma coisa se der uma parte para você, Tinoco.
– Posso pedir quanto eu quiser?
– Não, Tinoco. É o Tonico quem decide quanto dos R$ 100,00 fica com ele e quanto fica com você.
– Tenho de dividir o dinheiro com o Tinoco, então?
– Só se você quiser, Tonico. Mas tem um detalhe importante: se o Tinoco recusar sua oferta, nem você nem ele ganham nada. Vão ter de me voltar o dinheiro, tá?
– Tá bão!
Começa o jogo. Tonico pensa um pouco e conclui: "Eita... Não preciso dar grande coisa pro Tinoco não. Se eu der só R$ 10,00 e ficar com R$ 90,00, ele não vai ser besta de recusar. Porque aí nem R$ 10,00 o Tinoco ganha. Melhor um passarinho na mão que dois voando...".
– Toma aí, Tinoco, dez contos de réis procê.
– Quero não, Tonico.
– Mas Tinoco, se você recusar não vai ganhar é nada, sô!
– Tá me achando com cara de sonso, ô animar? Quero não.
E Tonico tem de devolver o dinheiro para a banca. Os dois acabam de mãos abanando. Então você chama outra dupla: Milionário e José Rico. Dá os R$ 100,00 para Milionário, e ele nem pensa duas vezes: passa R$ 50,00 pro amigo. Zé Rico aceita o acordo. E a dupla sai do jogo com R$ 100,00 mais abonada, justificando o nome.
Nos testes de verdade, a maioria das pessoas agia como Milionário e José Rico. Uma amostra de racionalidade. Mas quase sempre que alguém oferecia menos da metade do dinheiro, o outro preferia ficar sem nada.
Conclusão dos psicólogos: a dor de não ganhar R$ 50,00 é tão maior que a eventual alegria de levar R$ 10,00 de graça que vale mais a pena punir a cobiça do outro do que ficar com o dinheiro. Isso se reflete na bolsa também.
Quando as ações estão caindo, uma parte razoável dos investidores tende a pensar: "Quer saber? Tô fora dessa palhaçada de bolsa. Aqui não tem otário, não". E tira o dinheiro no impulso, mesmo perdendo. Prefere frear o prejuízo a esperar para ver se os papéis sobem.
Quando esse tipo de reação junta-se àquele outro instinto animalesco, o de fazer o que os outros estão fazendo sem pensar, tudo degringola. E na vida real, os dois comportamentos vêm sempre no mesmo pacote. É o efeito manada, onipresente nas histórias deste livro: "Se todo o mundo está correndo da bolsa, é melhor eu correr também". O problema é que, quanto mais gente corre da bolsa, mais as ações caem. E mais gente corre da bolsa. E mais as ações caem. E...
Quando o movimento é para cima, funciona do mesmo jeito. As ações começam a subir. As notícias de que "tem bagulho bom aí" vão se espalhando. Cada vez mais gente entra na bolsa para não perder esse trem. Quanto mais gente entra, mais as ações sobem... As pessoas começam a comprar exclusivamente porque os preços estão subindo. Não querem nem saber que trolha de empresa estão comprando – se ela dá lucro, se não dá... As ações ganham vida própria.
Uma hora alguém se toca de que está comprando vento, que nem com 1573 anos de dividendos o preço da ação se paga. Então a queda começa. Geralmente de forma mais violenta que a subida. A Nasdaq viveu quatro anos de alta acelerada até chegar ao pico, mas só precisou de dois para deletar todos os ganhos e voltar ao patamar anterior. Pois é: a dor de perder é mais forte que a alegria de ganhar. E o pessoal pula fora em bem menos tempo do que levou para embarcar.
Mas se uma queda começa com as pessoas percebendo que o preço das ações descolou da realidade, o que engatilha uma alta? Sim, sabemos do efeito manada. Mas e antes dele? Qual é o instante em que uma bolha nasce? O que vem imediatamente antes desses Big Bangs financeiros? O seguinte: uma novidade, uma oportunidade de investimento cujas perspectivas de lucro pareçam ilimitadas.
As grandes navegações foram a primeira dessas grandes oportunidades na era das ações. As Companhias das Índias Orientais da Holanda e da Inglaterra mostraram que, sim, aquele negócio podia enriquecer qualquer um. Depois a Companhia dos Mares do Sul e a Mississípi pegaram carona, abusaram do marketing para vender ações, os lucros não vieram e deu no que deu. A internet foi outra dessas. Ninguém sabia como fazer a rede dar dinheiro de verdade no fim do século XX. Mas era tão líquido e certo que uma hora ela daria que ninguém quis perder a oportunidade de ser pioneiro. Mas o dinheiro demorou a chegar e, de novo, deu no que deu.
Isso passa só uma parte da ideia sobre as bolhas – a ruim. Existe um outro lado: manias especulativas podem gerar benefícios concretos, sim. Mesmo a febre da Nasdaq acabou sendo fundamental para moldar o século XXI da banda larga, dos smartphones e do iPad. Mas quem pode explicar isso melhor é a mãe da bolha da internet, uma senhora inglesa do século XIX: a mania das ferrovias. Uma dona que, apesar de ter morrido pobre, deixou filhos que se tornariam muito bem-sucedidos. O futebol brasileiro é um desses rebentos. Hora de mais um salto no tempo.

A seção Compartilhamento exibe textos integrais de outras fontes no blog.
O texto acima foi escrito por Alexandre Versignassi e está presente no livro Crash: Uma Breve História da Economia, da editora Leya. Essa parte do livro foi exibida no Gizmodo Brasil.
Os direitos autorais do texto são estritamente reservados ao autor.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Pesquisa de avaliação dos docentes no semestre 2011.1

Você participará da pesquisa?
O Diretório Acadêmico de Administração iniciará a partir de amanhã, dia 25, a pesquisa de avaliação dos docentes do semestre 2011.1. Em relação à pesquisa anterior, divulgada na semana passada, alguns quesitos foram adicionados, como uma parte específica para avaliar também os órgãos ligados ao curso (o Colegiado de Administração e o Departamento de Ciências Sociais Aplicadas), seguindo a tendência de questionamento apontada no relatório da pesquisa anterior, onde muitos estudantes divagaram sobre a atuação desses órgãos.
É importante frisar que a pesquisa é feita de maneira anônima, ou seja, os participantes não terão seus nomes divulgados sob nenhuma hipótese, o que descarta completamente as chances de algum estudante sofrer punições ou pressionamentos que interferiram no resultado final da pesquisa. Assim sendo, também é válido destacar a atenção, a cautela e a responsabilidade das respostas fornecidas: o estudante deve responder ao questionário apontando as respostas mais justas e coerentes possíveis com a sua mais sincera opinião, impedindo, por exemplo, que as motivações de cunho extremamente afetivo para com determinados docentes interfiram, de maneira positiva ou negativa, nas respostas fornecidas.
Espera-se que o número de participantes cresça bastante em relação à pesquisa anterior, onde apenas cerca de 35% dos alunos responderam ao questionário. Quanto maior o número de participantes, mais condizentes com a realidade serão os resultados e maior credibilidade terá a pesquisa, sendo utilizada, principalmente, como uma importante ferramenta de feedback para os professores, que conhecerão os pontos exatos em que deverão melhorar como profissionais.
Responda ao questionário e divulgue para que todos os estudantes de administração participem desse processo avaliativo. As fichas respondidas deverão ser entregues a qualquer membro do Diretório Acadêmico ou a Nil, na sede do Diretório Acadêmico, até o dia 1º de setembro.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Divulgada pesquisa de avaliação dos docentes no semestre 2010.2

Clique na imagem para ampliar.
Foi divulgada uma pesquisa realizada pela gestão anterior do Diretório Acadêmico, a Identidade, avaliando os docentes que ministram disciplinas para o curso de administração. A pesquisa foi realizada entre os dias 24 e 26 de novembro de 2010 e contou com a colaboração de 152 estudantes que responderam sobre seus professores de suas respectivas disciplinas que cursavam no semestre 2010.2.
A pesquisa foi dividida em três partes. A frequência, a metodologia, o domínio do conteúdo, a apresentação da ementa, a preocupação com o aprendizado, a ética profissional, a avaliação coerente com o programa, o uso de recursos, a valorização da participação do aluno, a relação entre teoria e prática, a busca pelo aperfeiçoamento, o incentivo à complementação acadêmica, o relacionamento interpessoal, a disponibilidade de materiais básicos e a inter-relação com outras disciplinas foram quesitos da primeira parte que buscava avaliar os professores de forma individual, além de também perguntar ao discente se o docente em questão utilizava ou não o Portal do Estudante para divulgar notas e lançar o planejamento de aulas, dentre outras funções disponíveis. Na segunda parte, que se resume a uma avaliação geral do curso, foi questionada a importância dos métodos de ensino aplicados para a nossa formação acadêmica e os participantes também responderam, segundo opinião pessoal, sobre os três principais problemas do curso de administração. Voltada para os formandos, a terceira parte averiguou a opinião dos estudantes sobre a aptidão em determinadas habilidades de um bacharel em administração, segundo as Diretrizes Curriculares Nacionais de 2005.
Os murais com os resultados encontram-se em alguns pontos dos Módulos I, II e III e na Reitoria, além de estar disponível digitalmente aqui. Para ler o relatório completo da pesquisa, você pode baixar a sua versão digitalizada ou poderá ler através da cópia disponível na sede do Diretório Acadêmico, no MT 36.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Colegiado de Administração promoverá mesa redonda

O símbolo da corrupção brasiliense em 2009.
Em comemoração antecipada do dia do administrador, devido ao calendário pós-greve adotado pela UEFS que torna impraticável o debate em setembro, o Colegiado de Administração promoverá uma mesa redonda cujo tema será a corrupção na administração pública.
A mesa redonda acontecerá nesta semana, na quinta-feira, dia 18, às 19 horas, no Anfiteatro, localizado no Módulo II, e contará com a presença dos debatedores Antônio Silva Magalhães Ribeiro, professor da UEFS e ex-secretário da Fazenda de Salvador, e Eduardo Leite, ex-diretor do Hospital Geral Clériston Andrade e coordenador de cirurgia do Hospital EMEC. Ambos são autores de livros que abordam o assunto e discutirão a respeito com os demais participantes presentes, pontuando as origens, as consequências e as possíveis soluções. Haverá registro de presença e emissão de declaração, contando a participação no evento como atividade acadêmica complementar.
Tendo em vista que a grade do nosso curso, embora seja um curso sobre administração geral, pouco foca em assuntos diretamente ligados à administração pública, talvez essa seja uma oportunidade de debater sobre algo que nem todos percebem que também pertence a nossa área acadêmica e refletir sobre a importância disso.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Uma Assembleia Geral dos Estudantes está marcada para a próxima semana

A Assembleia acontecerá na Reitoria.
Está marcada para a próxima quarta-feira, dia 17, a Assembleia Geral dos Estudantes, que acontecerá no hall da Reitoria e terá início às 17 horas.
Dentre outros pontos a serem discutidos, está em pauta, principalmente, a viabilização das eleições do Diretório Central dos Estudantes, visto que desde o final do ano passado que, por motivos internos da antiga gestão eleita, não há nenhum grupo em posse das atividades do movimento estudantil do DCE. Uma gestão atuante do DCE é importante para diversos pontos críticos da UEFS, como, por exemplo, participar das recentes manifestações a respeito do sistema de transporte público feirense e do Restaurante Universitário, que foram levadas adiante por diversos grupos de estudantes. Embora não só o DCE possa levantar questões e fazer manifestações estudantis, a sua atuação, representando oficialmente os estudantes da UEFS, é fundamental para fomentar as discussões e fortalecer a representação estudantil na comunidade acadêmica e na sociedade.
Lembro também que uma Assembleia Geral dos Estudantes foi marcada no dia 27 de julho, em frente à Biblioteca Central, mas, por falta de quórum, não foi viabilizada, talvez por termos voltado de um feriadão municipal que explicasse a ausência de um significativo número de estudantes. Por isso, relembro aqui que é importante o comparecimento de uma parcela expressiva dos discentes na próxima semana para discutir o movimento estudantil na UEFS.

domingo, 7 de agosto de 2011

Acabou a água e sal

O DCIS agora possui voto universal.
Na última reunião dos conselheiros do Departamento de Ciências Sociais Aplicadas, foi deliberada, de forma legítima pela maioria dos conselheiros presentes, a votação universal para as eleições do DCIS. A decisão histórica foi comemorada por estudantes e professores que discutiram amplamente sobre a atual situação do DCIS e se mobilizaram para levar ao conselho a proposta de voto universal, muito mais condizente com uma verdadeira democracia do que os pesos das categorias para o resultado final adotados desde a fundação do DCIS na ditadura militar (70% provenientes dos votos dos docentes, 15% dos funcionários e 15% dos estudantes). A implementação do voto universal significa, resumidamente, quebrar a barreira que separa pessoas em categorias e uni-las a uma única categoria realmente existente, a de indivíduos diretamente ligados e interessados nas atividades acadêmicas, ou seja, cada voto individual possui um "peso único", valendo igualmente entre estudantes, funcionários e professores.
Resumindo os acontecimentos, ainda no início deste semestre, antes da greve, o DCIS já discutia sobre o processo eleitoral, que aparentemente só teria um candidato, Joselito Viana de Souza, apoiado pelo atual diretor do DCIS, Jorge Aliomar Barreiros Dantas. Os percentuais não seriam sequer discutidos e, mais uma vez, as eleições do DCIS demonstrariam que seria uma mudança para tudo permanecer exatamente o mesmo. Indignados, estudantes foram à reunião do DCIS debater sobre a situação caótica do ensino, da pesquisa e da extensão e cobrar por uma maior participação nas eleições, visto que ainda representar, atualmente, no contexto de uma sociedade democrática, um peso de 15% dos votos jamais estaria condizente com a verdadeira opinião de uma categoria com cerca de 1.600 pessoas diretamente atingida pelas decisões. Em resposta, um grupo de professores esvaziou o quórum e, dias depois, publicou uma nota à comunidade acadêmica repudiando a atitude e tendendo a desmoralizar os estudantes pelo ato. Como resposta, os diretórios acadêmicos dos quatro cursos, juntamente com o Grupo Mutação, do curso de economia, responderam a nota contraditória do grupo de professores conservadores, chamando, mais uma vez, todos para um verdadeiro debate, e não para uma fuga, numa tentativa esdrúxula de calar os estudantes e fingir que tudo caminha nos conformes, como ocorre a cerca de 30 anos no DCIS. Após a greve dos docentes, as discussões sobre o processo eleitoral retomaram e, mais uma vez, a direção do DCIS erra, ainda que não se tenha a certeza se uma decisão tomada por motivos pessoais de um grupo conservador restrito ou mesmo por bagunça (o que não me surpreenderia), e não convoca os conselheiros discentes no prazo mínimo pré-determinado, enquanto outros conselheiros, professores, foram devidamente convocados segundo determina o regimento. Os estudantes, mais uma vez indignados, demostraram insatisfação com a forma diferenciada de se referir a determinados conselheiros e retiraram-se da reunião alegando ilegitimidade, reunião essa que, por esse motivo, foi anulada. A partir dela, uma comissão de três professores foi formada para dialogar com o movimento estudantil e levar, numa reunião legítima, os pontos questionados para análise do conselho, enquanto os estudantes que se retiraram do recinto fizeram passagens em sala esclarecendo o ocorrido e o descaso de alguns professores com o debate. A partir daí, foi convocada uma assembleia dos estudantes do DCIS para discutir o Departamento de uma maneira mais ampla e deliberar sobre qual proposta de votação a categoria defenderia veemente, sendo escolhido o voto universal pela ampla maioria dos presentes. Na última quarta-feira, dia 3, houve um debate sobre o processo eleitoral e o que uma mudança benéfica no mesmo refletiria no DCIS e nos cursos noturnos, mas não foi uma surpresa para todos que alguns professores, os mesmos que repudiaram a atitude dos estudantes, não compareceram para discutir. Na última reunião dos conselheiros do DCIS, ocorrida na última quinta-feira, dia 4, a adoção do voto universal foi consentida pela maioria dos conselheiros presentes, ainda que não tenha sido uma aprovação fácil, visto que um grupo de professores ainda teimava em segurar a votação, ou modificá-la, por motivos tolos. Além da proposta de voto universal, incluíam-se também outras três propostas: 50% para professores, 35% para estudantes e 15% para funcionários; 50% para servidores de forma geral (professores e funcionários) e 50% para estudantes; e a proposta de voto paritário, 33% para cada categoria.
Ainda que não pareça claro para muitos, desde o início o impasse não era entre categorias, ou seja, não era um movimento de estudantes contra professores, mas sim de pessoas que queriam a ordem e a evolução do DCIS, incluindo-se professores e estudantes, contra as pessoas que queriam mais do mesmo, conformadas com a mediocridade atualmente presente. Enfim, o voto universal em si não é um fim, mas um meio para promover severas mudanças no Departamento. Para o DCIS se tornar um órgão universitário realmente funcional, caberá a todos nós (estudantes, funcionários e professores) participarmos cotidianamente deste processo de reconstrução e discussão, afinal, o DCIS nunca se tornará um órgão perfeito, assim como não existe nada que funcione perfeitamente no mundo, mas o que atualmente é uma regra, como o descaso com questões sérias e o consentimento da mediocridade, deverá se tornar uma exceção. Apenas para efeitos comparativos, o Departamento de Ciências Humanas e Filosofia (DCHF) já possui, a algum tempo, o voto universal, além de alguns outros departamentos que, ainda que não tenham aderido ao voto universal, já varreram o fatídico 70, 15, 15 de suas práticas antidemocráticas, aderindo à proporções mais condizentes com realidade dos pesos das categorias.
Para finalizar, assista abaixo o vídeo, feito pelo estudante de administração e representante discente Fabrício Falcão, do estudante de economia, representante discente e membro do Grupo Mutação, Daniel Nogueira, defendendo o voto universal na reunião do DCIS.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Duas discussões na UEFS estão marcadas para amanhã

Estudantes na última assembleia.
Como já deve ser do conhecimento de alguns, teremos duas discussões a respeito de dois assuntos distintos amanhã. A primeira delas, marcada para às 18 horas, acontecerá na sede do Diretório Acadêmico Nove de Setembro, no Módulo III, e tratará da questão das implementações dos pedágios na BR-324, suas divergências legais e consequências para toda a população, principalmente aos que residem nas cidades próximas e necessitam trafegar com frequência no trecho entre Feira de Santana e Salvador. Os participantes da discussão, levantada pelo estudante Fabrício Falcão e que já foi discutida previamente através de um recurso do Facebook, buscam esclarecimentos sobre os casos de concessão e estudam novas formas de manifestação. A segunda discussão, marcada para às 19h30, será no Anfiteatro, Módulo II, e promoverá um debate a respeito das eleições no Departamento de Ciências Sociais Aplicadas (DCIS) envolvendo todos que estão diretamente ligados às atividades dos cursos noturnos (estudantes, funcionários e professores). Além desse ponto, e correlativamente a ele, o debate aprofundará ainda mais os questionamentos referentes à degradação das atividades departamentais, como o descumprimento de diversas regulamentações do regimento e da falta de professores para determinadas disciplinas.
Vale lembrar também que uma reunião extraordinária do DCIS está marcada para a quinta-feira desta semana, dia 4, para deliberar sobre o processo eleitoral, inclusive para decidir os percentuais de cada categoria na representação do resultado final. Os dois debates serão abertos a todos os interessados em participar e a presença do maior número possível de pessoas é fundamental para o enriquecimento das discussões levantadas. Vale a pena participar.

domingo, 24 de julho de 2011

Campanha dos estudantes avança em diversos pontos

Passos importantes foram dados.
Devendo um pouco sobre os últimos acontecimentos das mobilizações estudantis, inclusive pela falta de tempo em atualizar o blog como gostaria, venho atualizá-los sobre os principais fatos ocorridos neste mês. Dentre eles, a Assembleia dos estudantes do Departamento de Ciências Sociais Aplicadas (DCIS), ocorrida no dia 13 de julho, foi bastante produtiva. Devido a imprevistos de última hora, a mesma teve de ser realizada no Auditório IV, Módulo VI, mas isso não impediu que estudantes dos quatro cursos noturnos da UEFS comparecessem e lotassem o local. Além de outras discussões ocorridas, como a pouca oferta de pesquisa e a ausência de docentes para determinadas disciplinas, foi deliberada, com ampla maioria dos votos, a defesa da categoria estudantil pelo voto universal, tendo somente um voto a favor da paridade (33% para cada categoria) e uma abstenção entre os presentes.
Na mais recente reunião do DCIS, ocorrida na última quarta-feira, dia 20, as discussões ocorridas anteriormente foram levadas por diversos estudantes, incluindo-se também membros de diretórios acadêmicos e representantes discentes. Ao final da reunião, que também contou com defesas fervorosas de professores a favor da proposta de discussão democrática dos discentes, deliberou-se uma comissão formada por oito pessoas (um professor e um estudante de cada curso) para promover o debate, propor o calendário eleitoral e encaminhar decisões para a próxima reunião do DCIS, marcada para uma quinta-feira, dia 4 de agosto. Representando o curso de administração, Paloma Souza, estudante e representante discente, e Maria Leny, docente recém-incorporada ao quadro de professores, foram escolhidas para a comissão que terá como grande objetivo a corrente discussão sobre o processo de democratização e o atual estado do Departamento.
Dentre esses dias, houve também uma série de reuniões, passagens esclarecedoras e convidativas em diversas salas de aula e discussões com uma comissão de professores formada a partir da reunião do dia 6 deste mês, que não ocorreu de fato pelo descumprimento de determinadas exigências do regimento do DCIS. Tudo indica que as eleições para a diretoria deverão ocorrer no início de setembro, mas ainda é necessária a união dos estudantes para que um passo histórico seja dado.

domingo, 17 de julho de 2011

Compartilhamento: Preconceito social na internet

Quando a crítica exalta o preconceito.
O Orkut é uma espécie de Praia Grande dos sites de relacionamento: todo mundo já se divertiu ali, mas alguns sentem vergonha de dizer agora. Até brinquei com uma amiga estes dias; ao vê-la tirando uma foto bonita, eu disse:
Olha só! Foto de Orkut, hein?
A resposta foi meio seca:
Facebook, por favor.
Vez ou outra recebo alguns e-mails com o título "as pérolas do Orkut". São fotografias com gente se divertindo de maneira supostamente ridícula. Coisa de pobre, diriam os antenados permanentemente às novas tendências. O estranhamento com estas cenas é compreensível: a recente mobilidade social ofereceu às pessoas que tempos atrás mal podiam comer carne e se divertir a compartilhar valores próprios das classes médias brasileiras, difundidos pelos meios de comunicação e que anteriormente estavam meramente restritos ao imaginário da população de baixa renda. Uma foto com uma garrafa de uísque ao lado de uma piscina de plástico causa perplexidade na classe média que se orgulha de, vez ou outra, ser convidada a frequentar algum salão coabitado pela "elite branca". Alguns destes e-mails trazem comentários do tipo "maldita Casas Bahia que vende câmera digital em 36 vezes sem juros", como se os bens de consumo da classe média brasileira – forjada nos governos de Vargas, Juscelino e militares – não fossem oriundos das "suaves" prestações de crédito pessoal oferecido pelos bancos de varejo.
Pode até parecer estranho alguém que recentemente adentrou no mercado de consumo reproduzir a sua maneira os valores e o modo de vida da classe média que historicamente habitou o imaginário popular como um mero sonho distante, mas, da mesma forma, parece ridículo e fraudulento quando a indústria cultural – que tem a classe média como principal consumidora – incorpora, apropria-se e reinventa o significado da produção cultural da classe pobre brasileira. Os ritmos e danças criados nas vilas e favelas brasileiras tornam-se um subproduto industrializado e comercializado para "gente branca" consumir. Os resultados são deformações como o baile funk para patricinhas popozudas nas baladas caras de São Paulo, o pagode choramingado, os camarotes de escola de samba e as micaretas que transformaram o carnaval do povo em uma espécie de apartheid itinerante. Mas o pior de todos é o conceito de forró universitário e sertanejo universitário; ou seja, a indústria cultural se apropria da cultura popular e depois cria uma etiqueta para diferenciar a estética do forró dos universitários do forró de empregada doméstica e o sertanejo universitário do cowboy de picape da música do caipira ingênuo. Com toda sinceridade, um boyzinho cantando que "o Morro do Dendê é ruim de invadir" me parece muito mais ridículo do que ver alguém se divertindo no Piscinão de Ramos ou na Praia Grande. Como disse anteriormente, a classe média brasileira foi criada pelo Estado na era Vargas, ou seja, há apenas oitenta anos. Isso quer dizer que quase ninguém com minha idade têm um avô que nasceu rico. Os que tiveram a felicidade de construir um patrimônio têm muito viva na mente a memória de pobreza.
Os universitários do forró e do sertanejo recentemente puderam contrariar as estatísticas e alcançar o grau superior. Agora, eles se sentem em condições de "apedrejar" a Geisy, não porque ela seja escandalosa, mas por ela ser considerada ridícula. E o "senso comum" decidiu que seu corpo – supostamente feio – não lhe dava direito de se sentir atraente e usar um vestido curto. A classe média se apavora com a pobreza, sente medo dela, tem a pobreza muito viva na memória e rapidamente incorpora como seus os interesses e a ideologia da elite com medo de cair na escala social ao associar-se com quem deveria estar "embaixo". Quando aquele que estava "embaixo" emerge e pode também usufruir os bens de consumo (comprar celular e televisão, viajar de avião e adquirir um automóvel e a famigerada câmera digital), os que estavam "em cima", automaticamente, num clique, sentem-se mais pobres. As fotos do Orkut apavoram porque, através delas, alguns enxergam tudo o que mais temem: a igualdade.
No Brasil, poucos se sentem à vontade com a igualdade. Este é o país dos camarotes VIP, seja na balada, nos hospitais e/ou nas universidades. Não seria diferente nas redes sociais.

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O texto acima foi escrito por Rafael Castilho para o Blog do Rafael Castilho.
Os direitos autorais do texto são estritamente reservados ao autor.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

70, 15, 15? Ou 55, 30, 15? Me poupe, Salgadinho...

Campanha pela democracia no DCIS.
Desde o início deste semestre, os Diretórios Acadêmicos, representantes discentes e alguns coletivos do Departamento de Ciências Sociais Aplicadas (DCIS) têm chamado a atenção desta Universidade sobre a ausência de DEMOCRACIA neste Departamento; mais que isso, para os problemas que se arrastam desde a sua criação, e que para alguns já são naturalizados (o noturno é assim, mesmo...).
Por não se inserir no conjunto da Universidade, o DCIS parece mais uma escola, no popular, o "Escolão", pois que evasivo de uma ambiência mais crítica, pesquisadora e interessada nas questões que jamais poderiam passar ilesas à formação de professores e estudantes universitários. Obviamente que há iniciativas na contramão agora, mas são tão parcas essas experiências que vale a pena destacar que bastou a saída de um único professor do curso de Economia para que metade da pesquisa do curso viesse a ser suprimida, o que alguns já estão chamando de "Economia em Crise". Essa realidade não é muito diferente nos demais cursos do noturno.
O fato é que muita gente procura justificar a precarização dos cursos sob argumentos que não se sustentam para uma Universidade Pública, mas que para "uma fábrica de diplomas" eles se adequam perfeitamente. A cada dois anos, elegem-se chapas que não fazem senão o mais do mesmo. Ou seja, "tudo muda para nada transformar", pois que não toca na essência das coisas.
E a história desse Departamento continua a denunciar que a proposta de votação 70, 15, 15 impede a maior categoria dessa universidade de participar mais propositivamente do processo eleitoral. Esse autoritarismo, em grande medida, é responsável pela mediocridade que se tornou este Departamento. Uma única categoria insiste em decidir sozinha os rumos de uma gestão, já que alguns professores, se valendo de um discurso democrático falacioso, decidem o que deve ser o DCIS, apelando, inclusive, para o 55, 30, 15, que é farinha do mesmo saco.
Evidenciando esse autoritarismo, a reunião do Departamento que ocorreria nesta quarta-feira, às 18 horas, no Auditório III do Módulo IV, foi inviabilizada quando uma estudante, conselheira, chamou a atenção para ilegalidade e ilegitimidade da mesma, quando conselheiros estudantes são tratados de forma desigual em relação aos professores, recebendo um comunicado nas vésperas da reunião, ou seja, passando por cima do regulamento desta Universidade, que determina um prazo mínimo de 48 horas de antecedência.
Diante disso, ficamos indignados com essa tentativa de impor uma proposta de votação por cima, à margem da participação da categoria estudantil. Alguns professores ainda não entenderam as mensagens desse novo tempo que se anuncia... Nesse sentido, estamos sugerindo uma nova proposta eleitoral e uma nova lógica para este Departamento, que há mais de 30 anos se mostra conservador nesta Universidade que deve, continuamente, construir o pensamento crítico, transformador e responsável com as questões da coletividade.
Para quem não acredita nas transformações, importa dizer:
"A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar". (Eduardo Galeano)
Convocamos os estudantes do DCIS para participar da Assembleia dos estudantes do DCIS, no dia 13 de julho, quarta-feira, às 19 horas, no Auditório III, Módulo IV, a fim de discutirmos sobre o processo eleitoral, acompanhada de uma avaliação sobre o Departamento.

Diretórios Acadêmicos do DCIS, representantes discentes e Grupo Mutação.

Nota: para saber mais sobre a campanha pela democracia no DCIS, acesse http://democraciadcis.blogspot.com/ e leia a respeito das movimentações que ocorreram e dos futuros rumos das movimentações estudantis.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Compartilhamento: Por que as pessoas fogem de você em eventos profissionais

Networking: evite os erros comuns.
Com o bolso repleto de cartões de visitas, é hora de partir para um evento profissional. Meta: conhecer mais gente, aumentar sua rede de contatos e, se os ventos forem bons, até descolar uma oportunidade interessante de carreira.
Mas na empolgação de cumprir essa meta, muita gente pode atropelar o bom senso e cometer os piores micos em eventos profissionais.
Para que você não vire o espantalho do congresso, palestra ou jantar de negócios, Exame.com listou as nove posturas mais vergonhosas em eventos desse tipo.
01. Distribuir camisetas com sua foto.
Ou simplesmente exagerar no narcisismo. "Conheci uma pessoa que foi capa em uma revista de negócios", lembra Othamar Gama Filho, sócio-diretor da consultoria Recruiters. "Ele ficou tão feliz com isso que reimprimiu a imagem da capa no verso do cartão de visitas dele".
Não é necessário ir tão longe para atropelar a boa medida de marketing pessoal. Há quem aterrisse em eventos de negócios com o currículo inteiro na ponta da língua com a ideia fixa de que, para fazer um bom networking, é preciso repetir, como um mantra, cada um dos seus feitos passados.
"Nessas horas, você sempre tem a impressão de que está na frente de pessoas grandiosas. É incrível", afirma Anderson Cavalcante, autor do livro "O que realmente importa?" (Editora Gente).
O foco, nesses momentos, de acordo com ele, é gerar interesse no outro. E qual a melhor forma para fazer isso? Segundo Gama, interessando-se principalmente por aquilo que o outro tem a dizer.
02. Ver o mundo inteiro como uma potencial máquina de dinheiro.
Nessa de ter vista apenas aos próprios interesses, muitos acabam transformando os momentos reservados para networking em uma espécie de feira de frutas ou mercado municipal de luxo.
"Ela quer vender de tudo para você", diz Cavalcante. "A pessoa não tem a sensibilidade de que por trás do CNPJ que o profissional representa está um ser humano".
03. Transformar o encontro em um show de stand up.
Senso de humor afiado pode ser um excelente recurso para quebrar o gelo das primeiras frases de um diálogo. Mas deve ser usado com moderação e – principalmente – bom senso. Ou seja, sinal vermelho para qualquer piada constrangedora.
"Todos temos grupos de relacionamento com diferentes propósitos. Temos um grupo de amigos para sair e falar besteira, outro para ligar quando temos algum problema pessoal e aqueles com quem queremos fechar negócios", diz Cavalcante. "Você precisa ver em que grupo você quer estar".
Gama lembra que, certa vez, um conhecido abordou o presidente de uma grande empresa estrangeira com o típico hábito de homens brasileiros de comentar sobre mulheres – frisando que no evento a amostra não era tão boa.
"O problema é que a mulher do CEO estava ao lado ouvindo tudo", lembra. Conclusão: credibilidade e bom senso zero para o Don Juan em questão.
04. Transformar o encontro em um ringue.
Entrar em assuntos polêmicos ou dar respostas enviesadas também contribuem para que as pessoas mantenham distância de outras em eventos de networking.
"Há também o chamado 'sincericídio', o suicídio via sinceridade", brinca Gama, da Recruiters. "Cada pessoa tem seu nível de sensibilidade. O segredo é deixá-las falar".
05. Dar palestra.
A insegurança de tocar em pontos mais, digamos, leves conduz muitos profissionais por aí a bancarem os chatos do encontro. Sabe aquele tipo de pessoa que só fala sobre assuntos técnicos ou que transforma um diálogo em uma monótona palestra? Então.
Se esse aspecto é seu calcanhar de Aquiles, a dica é investir em repertório para além do seu trabalho. E, principalmente, aprender a se interessar genuinamente pelas pessoas ao seu redor.
06. Focar (apenas) nos peixes grandes.
Com a meta de sair do evento com uma porção de contratos fechados, há quem mire apenas nos profissionais que têm algum poder de decisão na companhia em questão. Eis mais um deslize épico para a coleção.
Além de contribuir para o achatamento da sua rede de contatos, essa postura pode indicar falta de visão estratégica e tato para negócios – combinação explosiva para qualquer carreira.
07. Não ter um foco claro.
No extremo oposto estão aqueles que querem conhecer cada alma vivente que estiver no evento em questão. Pulam de uma roda de conversa para outra, não aprofundam nenhum relacionamento ou distribuem cartões para Deus e o mundo.
"É o típico tagarela que quer ser o centro das atenções", diz Othamar. A consequência? Potenciais contatos profissionais a quilômetros de distância.
"Em eventos assim o ideal é ser qualitativo", diz Cavalcante. "Mesmo que você conheça apenas uma pessoa, mas de tal forma que possa ligar para ela no outro dia, acredite: o evento terá valido a pena".
08. Ser "linguarudo".
Outro recurso para incentivar a aproximação, mas que pode virar um belo tiro no pé, é o hábito de fofocar ou falar mal do emprego ou de pessoas ligadas a ele.
Atenção redobrada se seu impulso é não ter papas na língua. Contar segredos empresariais ou elencar os atributos negativos do seu chefe apenas contribui para que outros profissionais queiram manter-se longe de você no futuro – para não entrar em roubadas, óbvio.
09. Não interpretar os sinais.
Estruturalmente, a construção de uma rede de contatos profissionais se assemelha aos jogos de sedução em relacionamentos pessoais. E como tal, fazer um bom networking pressupõe a habilidade para interpretar sinais.
Em outras palavras, você precisa estar atento a todo o contexto em questão: a maneira como a pessoa em questão gesticula, fala ou se porta, quem está ao redor, qual o clima de momento.
Enfim, uma porção de fatores que exigem, antes de tudo, um passeio para além de si. Aqui cabem perfeitamente os versos de Vinícius de Morais em Berimbau: "Quem de dentro de si não sai, vai morrer sem amar ninguém".
A ideia de networking não está ligada apenas ao crescimento da sua lista de contatos profissionais, mas também para uma expansão dos seus próprios horizontes. "É uma questão de ritmo", diz Gama.

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O texto acima foi escrito por Talita Abrantes para o Exame.com.
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