domingo, 24 de julho de 2011

Campanha dos estudantes avança em diversos pontos

Passos importantes foram dados.
Devendo um pouco sobre os últimos acontecimentos das mobilizações estudantis, inclusive pela falta de tempo em atualizar o blog como gostaria, venho atualizá-los sobre os principais fatos ocorridos neste mês. Dentre eles, a Assembleia dos estudantes do Departamento de Ciências Sociais Aplicadas (DCIS), ocorrida no dia 13 de julho, foi bastante produtiva. Devido a imprevistos de última hora, a mesma teve de ser realizada no Auditório IV, Módulo VI, mas isso não impediu que estudantes dos quatro cursos noturnos da UEFS comparecessem e lotassem o local. Além de outras discussões ocorridas, como a pouca oferta de pesquisa e a ausência de docentes para determinadas disciplinas, foi deliberada, com ampla maioria dos votos, a defesa da categoria estudantil pelo voto universal, tendo somente um voto a favor da paridade (33% para cada categoria) e uma abstenção entre os presentes.
Na mais recente reunião do DCIS, ocorrida na última quarta-feira, dia 20, as discussões ocorridas anteriormente foram levadas por diversos estudantes, incluindo-se também membros de diretórios acadêmicos e representantes discentes. Ao final da reunião, que também contou com defesas fervorosas de professores a favor da proposta de discussão democrática dos discentes, deliberou-se uma comissão formada por oito pessoas (um professor e um estudante de cada curso) para promover o debate, propor o calendário eleitoral e encaminhar decisões para a próxima reunião do DCIS, marcada para uma quinta-feira, dia 4 de agosto. Representando o curso de administração, Paloma Souza, estudante e representante discente, e Maria Leny, docente recém-incorporada ao quadro de professores, foram escolhidas para a comissão que terá como grande objetivo a corrente discussão sobre o processo de democratização e o atual estado do Departamento.
Dentre esses dias, houve também uma série de reuniões, passagens esclarecedoras e convidativas em diversas salas de aula e discussões com uma comissão de professores formada a partir da reunião do dia 6 deste mês, que não ocorreu de fato pelo descumprimento de determinadas exigências do regimento do DCIS. Tudo indica que as eleições para a diretoria deverão ocorrer no início de setembro, mas ainda é necessária a união dos estudantes para que um passo histórico seja dado.

domingo, 17 de julho de 2011

Compartilhamento: Preconceito social na internet

Quando a crítica exalta o preconceito.
O Orkut é uma espécie de Praia Grande dos sites de relacionamento: todo mundo já se divertiu ali, mas alguns sentem vergonha de dizer agora. Até brinquei com uma amiga estes dias; ao vê-la tirando uma foto bonita, eu disse:
Olha só! Foto de Orkut, hein?
A resposta foi meio seca:
Facebook, por favor.
Vez ou outra recebo alguns e-mails com o título "as pérolas do Orkut". São fotografias com gente se divertindo de maneira supostamente ridícula. Coisa de pobre, diriam os antenados permanentemente às novas tendências. O estranhamento com estas cenas é compreensível: a recente mobilidade social ofereceu às pessoas que tempos atrás mal podiam comer carne e se divertir a compartilhar valores próprios das classes médias brasileiras, difundidos pelos meios de comunicação e que anteriormente estavam meramente restritos ao imaginário da população de baixa renda. Uma foto com uma garrafa de uísque ao lado de uma piscina de plástico causa perplexidade na classe média que se orgulha de, vez ou outra, ser convidada a frequentar algum salão coabitado pela "elite branca". Alguns destes e-mails trazem comentários do tipo "maldita Casas Bahia que vende câmera digital em 36 vezes sem juros", como se os bens de consumo da classe média brasileira – forjada nos governos de Vargas, Juscelino e militares – não fossem oriundos das "suaves" prestações de crédito pessoal oferecido pelos bancos de varejo.
Pode até parecer estranho alguém que recentemente adentrou no mercado de consumo reproduzir a sua maneira os valores e o modo de vida da classe média que historicamente habitou o imaginário popular como um mero sonho distante, mas, da mesma forma, parece ridículo e fraudulento quando a indústria cultural – que tem a classe média como principal consumidora – incorpora, apropria-se e reinventa o significado da produção cultural da classe pobre brasileira. Os ritmos e danças criados nas vilas e favelas brasileiras tornam-se um subproduto industrializado e comercializado para "gente branca" consumir. Os resultados são deformações como o baile funk para patricinhas popozudas nas baladas caras de São Paulo, o pagode choramingado, os camarotes de escola de samba e as micaretas que transformaram o carnaval do povo em uma espécie de apartheid itinerante. Mas o pior de todos é o conceito de forró universitário e sertanejo universitário; ou seja, a indústria cultural se apropria da cultura popular e depois cria uma etiqueta para diferenciar a estética do forró dos universitários do forró de empregada doméstica e o sertanejo universitário do cowboy de picape da música do caipira ingênuo. Com toda sinceridade, um boyzinho cantando que "o Morro do Dendê é ruim de invadir" me parece muito mais ridículo do que ver alguém se divertindo no Piscinão de Ramos ou na Praia Grande. Como disse anteriormente, a classe média brasileira foi criada pelo Estado na era Vargas, ou seja, há apenas oitenta anos. Isso quer dizer que quase ninguém com minha idade têm um avô que nasceu rico. Os que tiveram a felicidade de construir um patrimônio têm muito viva na mente a memória de pobreza.
Os universitários do forró e do sertanejo recentemente puderam contrariar as estatísticas e alcançar o grau superior. Agora, eles se sentem em condições de "apedrejar" a Geisy, não porque ela seja escandalosa, mas por ela ser considerada ridícula. E o "senso comum" decidiu que seu corpo – supostamente feio – não lhe dava direito de se sentir atraente e usar um vestido curto. A classe média se apavora com a pobreza, sente medo dela, tem a pobreza muito viva na memória e rapidamente incorpora como seus os interesses e a ideologia da elite com medo de cair na escala social ao associar-se com quem deveria estar "embaixo". Quando aquele que estava "embaixo" emerge e pode também usufruir os bens de consumo (comprar celular e televisão, viajar de avião e adquirir um automóvel e a famigerada câmera digital), os que estavam "em cima", automaticamente, num clique, sentem-se mais pobres. As fotos do Orkut apavoram porque, através delas, alguns enxergam tudo o que mais temem: a igualdade.
No Brasil, poucos se sentem à vontade com a igualdade. Este é o país dos camarotes VIP, seja na balada, nos hospitais e/ou nas universidades. Não seria diferente nas redes sociais.

A seção Compartilhamento exibe textos integrais de outras fontes no blog.
O texto acima foi escrito por Rafael Castilho para o Blog do Rafael Castilho.
Os direitos autorais do texto são estritamente reservados ao autor.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

70, 15, 15? Ou 55, 30, 15? Me poupe, Salgadinho...

Campanha pela democracia no DCIS.
Desde o início deste semestre, os Diretórios Acadêmicos, representantes discentes e alguns coletivos do Departamento de Ciências Sociais Aplicadas (DCIS) têm chamado a atenção desta Universidade sobre a ausência de DEMOCRACIA neste Departamento; mais que isso, para os problemas que se arrastam desde a sua criação, e que para alguns já são naturalizados (o noturno é assim, mesmo...).
Por não se inserir no conjunto da Universidade, o DCIS parece mais uma escola, no popular, o "Escolão", pois que evasivo de uma ambiência mais crítica, pesquisadora e interessada nas questões que jamais poderiam passar ilesas à formação de professores e estudantes universitários. Obviamente que há iniciativas na contramão agora, mas são tão parcas essas experiências que vale a pena destacar que bastou a saída de um único professor do curso de Economia para que metade da pesquisa do curso viesse a ser suprimida, o que alguns já estão chamando de "Economia em Crise". Essa realidade não é muito diferente nos demais cursos do noturno.
O fato é que muita gente procura justificar a precarização dos cursos sob argumentos que não se sustentam para uma Universidade Pública, mas que para "uma fábrica de diplomas" eles se adequam perfeitamente. A cada dois anos, elegem-se chapas que não fazem senão o mais do mesmo. Ou seja, "tudo muda para nada transformar", pois que não toca na essência das coisas.
E a história desse Departamento continua a denunciar que a proposta de votação 70, 15, 15 impede a maior categoria dessa universidade de participar mais propositivamente do processo eleitoral. Esse autoritarismo, em grande medida, é responsável pela mediocridade que se tornou este Departamento. Uma única categoria insiste em decidir sozinha os rumos de uma gestão, já que alguns professores, se valendo de um discurso democrático falacioso, decidem o que deve ser o DCIS, apelando, inclusive, para o 55, 30, 15, que é farinha do mesmo saco.
Evidenciando esse autoritarismo, a reunião do Departamento que ocorreria nesta quarta-feira, às 18 horas, no Auditório III do Módulo IV, foi inviabilizada quando uma estudante, conselheira, chamou a atenção para ilegalidade e ilegitimidade da mesma, quando conselheiros estudantes são tratados de forma desigual em relação aos professores, recebendo um comunicado nas vésperas da reunião, ou seja, passando por cima do regulamento desta Universidade, que determina um prazo mínimo de 48 horas de antecedência.
Diante disso, ficamos indignados com essa tentativa de impor uma proposta de votação por cima, à margem da participação da categoria estudantil. Alguns professores ainda não entenderam as mensagens desse novo tempo que se anuncia... Nesse sentido, estamos sugerindo uma nova proposta eleitoral e uma nova lógica para este Departamento, que há mais de 30 anos se mostra conservador nesta Universidade que deve, continuamente, construir o pensamento crítico, transformador e responsável com as questões da coletividade.
Para quem não acredita nas transformações, importa dizer:
"A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar". (Eduardo Galeano)
Convocamos os estudantes do DCIS para participar da Assembleia dos estudantes do DCIS, no dia 13 de julho, quarta-feira, às 19 horas, no Auditório III, Módulo IV, a fim de discutirmos sobre o processo eleitoral, acompanhada de uma avaliação sobre o Departamento.

Diretórios Acadêmicos do DCIS, representantes discentes e Grupo Mutação.

Nota: para saber mais sobre a campanha pela democracia no DCIS, acesse http://democraciadcis.blogspot.com/ e leia a respeito das movimentações que ocorreram e dos futuros rumos das movimentações estudantis.